terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Refletir ou repetir, eis a questão!

Se algo significante eu aprendi por aí, é que não devemos repetir idéias, e sim processar idéias. Nosso meio cultural é imerso numa variedade de fórmuletas para quem quiser filosofar qualquer assunto. Belo Monte; aquecimento global; corrupção política? aposto que você poderá por horas falar sobre esses assuntos, mesmo sem ter a mínima ideia de que está falando, mas tendo a certeza de que não proferirá besteiras, pois tudo que você disser é justamente o que as outras pessoas estão repetindo por aí.

A melhor maneira de propagar o pensamento é a escrita; hoje você deve escrever ao menos umas mil palavras por dia entre postagens em Blogs, Facebook e Twitter, mas a pergunta é: você está pensando?

O pensamento funciona - ou assim deveria - com base na lógica da dialética, que se resume em três passos indispensáveis:

Tese: É a proposição inicial, ou primeira vista do assunto
Antítese: É um esforço de confrontação da tese, a famosa oposição de idéias.
Síntese: é o resultado do pensamento sobre pontos que se sustentam da tese e antítese: a união dos prós e contras.
Sendo assim, a dialética é a razão da filosofia, na qual a confrontação leva ao esclarecimento.

De maneira submissa, a comunicação de massa (moderna) coloca a dialética de lado e subjuga o esclarecimento. Erradamente muitos atribuem uma preferência do mundo moderno pela retórica em vez da dialética.

Retórica é a arte de convencer outros por meio de suas próprias idéias, para tal não é necessário dizer o que é certo ou errado, basta por meios de floreios e bom discurso desenhar o caminho em que o outro chegue sozinho às mesmas conclusões e as tenha como verdade.

Provavelmente durante a propaganda comunista (interna), iniciou-se um processo de declínio tanto da dialética quanto da retórica - essa é minha opinião - ao invés de promover o esclarecimento, ou o convencimento por meio de retórica , subestima-se por completo o raciocínio humano e parte-se para a imposição de toda ideia, certa ou errada; viável ou maluca; como verdade absoluta; bastando para isso que ela esteja suficiente difundida. Surge então a arte de convencer pela maioria, não pelo raciocínio.

O que eu vou apelidar de "metodologia da verdade" é então uma busca incansável pela credibilidade pessoal ou empresarial, que é vendida como commoditie à milhões de pessoas pelo conglomerado de mídia de massa. Não é preciso convencer a verdade ou mentira, desde que milhões de pessoas acreditem. 

A "metodologia da verdade" não era perfeita, ainda em transição existia muito questionamento - e agora - quanto maior o questionamento, menor é o valor da venda. Se algo é vendido como verdade absoluta, o questionamento torna-se um problema, pois leva à dialética e por fim ao esclarecimento. Devia-se então criar mecanismos de proteção da verdade absoluta. Nas décadas de 40 à 60 a "auto proteção" da verdade estabelecida ainda não possuía uma metodologia, Elisabeth Noelle-Neumann estudou a comunicação de massa para entender como era possível que uma ideia viesse ser aceita como verdade, deste estudo originou-se a teoria "Espiral do Silêncio", atual bíblia na doutrina das grandes corporações de mídia de massa.

A Espiral do silêncio afirma que não é necessário que uma maioria acredite numa dita verdade, apenas que ela pense existir uma maioria crente, e sinta medo da ridicularização. Neste caso, uma maioria (de pessoas que não acreditam) são subjugadas por uma minoria que criaram essa ideia. Ainda seguindo a teoria de Noelle-Neumann para tal basta que a "ideia, seja ela mentira ou verdade" seja repetida milhares de vezes por grandes períodos de tempo, sustentada pela mídia de massa por várias pessoas diferentes, algumas vezes a opinião contrária pode ser apresentada, para dar ares de debate, a ideia do debate não é continuada e cai no esquecimento novamente, enquanto a "verdade absoluta" continua a ser repetida incansavelmente pelos diversos veículos do conglomerado.

Uma verdade criada e imposta por meio do que apelidei de "metodologia da verdade"  adere-se à cultura geral, tornando-se parte do cotidiano e linguajar. A falta de discussão sobre os assuntos, gera um ambiente propício ao desencorajamento de exposições contraditórias, quem se cala e faz "silêncio" contribui para a espiral do silêncio, que cresce se alimentando do barulho da mídia e a incapacidade de questionamento das pessoas doutrinadas para um único fim: acreditar.