Teresópolis enfrenta problemas nas mais variadas áreas, principalmente na questão da habitação. Após o advento da estrada Rio x Teresópolis e da estrada Rio x Bahia, o número de moradores cresceu de forma vertiginosa. O município sobremodo, não conseguiu acompanhar esse ritmo de crescimento, o que com o passar do tempo tornou a infraestrutura local defasada, com ênfase no problema da moradia.
A cidade hoje é considerada uma das mais favelizadas do estado do Rio de janeiro, vivendo boa parte dos munícipes em aglomerados subnormais, muitos em lugares de risco iminente. Já ocorreram episódios nesse quesito, diga-se de passagem, a catástrofe ocorrida no bairro do Perpetuo em 2002, a da Fonte Santa em 2012 e a de maior gravidade em 2011, onde morreram centenas de pessoas e milhares ficaram desabrigadas. Muitos dos desabrigados não receberam o aluguel social e tampouco foram beneficiadas com novas moradias, em lugares seguros.
O lugar escolhido pelo Estado para a construção das novas habitações - a fazenda Ermitagem -, tem boa parte de sua extensão localizada dentro do Parque Estadual dos Três Picos que é uma área de proteção ambiental, remanescente da Mata Atlântica. As construções neste entorno, se não corretamente manejadas, levarão aos poucos a destruição do parque, visto que possivelmente um novo bairro se formará e invasões para construção de moradias irregulares serão frequentes. Também não há historicamente vontade política para repressão de moradias irregulares. Por parte de certos edis, veremos sem dúvida um incentivo, transformando o local em futuro reduto eleitoral.
Todavia, existem lugares nos quais se poderiam fazer as citadas moradias, sendo dois exemplos o antigo complexo do hotel Caxangá e o antigo clube Panorama, reformando-se estes e os adequando com a devida segurança e infraestrutura. Porém, até hoje as moradias não saíram do papel. Em comparação ao novo fórum no pátio da prefeitura que está quase pronto.
Se os nossos governantes tivessem lido e seguido a cartilha do Plano Diretor aprovado em 2006 e revisado em 2011, muitas desgraças poderiam ter sido evitadas ou amenizadas; certamente hoje estaríamos em uma cidade bem melhor. Pena que por aqui a miséria dá lucro. Infelizmente.
Coluna - Não é bem assim, por: Artur Esteves
