É muito comum ouvirmos frases como “o povo não gosta de política, prefere ver um jogo de futebol” ou então “todos os políticos são corruptos”, “política! Eu odeio!”. Estas frases fazem parte de nosso folclore político, assim como outras.
As frases são verdadeiras, correspondentes a realidade, ou pertencem apenas ao senso comum? A população em seu todo é alienada, ou somente parte dela? Muitos escritores de renome em nosso país pregam que os brasileiros nunca se interessaram e não se interessam em participar do processo político.
Não é bem assim. Ao analisarmos a história do Brasil, vemos que em vários episódios a população participou ou ao menos tentou participar, mesmo reprimidos em algumas situações e em outras simplesmente excluídos através de algum mecanismo discriminatório - por exemplo - no período imperial, no qual para ser eleitor ou se candidatar a algum cargo eletivo era necessário ter certa quantia de dinheiro.
Já o começo da era republicana foi marcado por diversos movimentos contestatórios, houve de certo modo a participação popular. Todavia, esta foi dissolvida por setores da elite. Esta elite, - parte dela para sermos mais exatos - tinha pavor das camadas populares e de seus costumes, temiam que começassem a ter direitos e iniciassem revoltas, motins e até revoluções. A burguesia dizia e ainda diz: participação popular? Isso é caso de polícia!
Muitos não participam de movimentos de cunho político com medo da repressão, de desagradar tal ou qual político, ou simplesmente por não estarem interessados. Pensam: eu deveria participar? O que ganharei com isto? Pessoas com este tipo de pensamento infelizmente são maioria.
A omissão gera o ladrão, o corrupto, o mercenário que se vende por cargos no poder público para obter vantagens, cria a violência e suas consequências, piora o caos que reina no Brasil. Não adianta ficarmos parados sentados em nossas poltronas, esperando as coisas melhorarem. Se não agirmos, seremos esmagados e subjugados.
Coluna - Não é bem assim, por: Artur Esteves
