Essa semana, todos [quase todos] os veículos de comunicação da cidade publicaram o mesmo texto coberto de maquiagem a acessórios publicitários dando conta da incrível articulação municipal que com seu super-poder-político resgatou para o Centro de Treinamento (CT) da Granja Comary a perdida Seleção Brasileira de Futebol.
Não é bem assim...
Foram gastos quase 30 milhões no terrerno e se pretendia dobrar o patrimônio da CBF que beirava os 300 milhões, sendo que a política local não possuía poder deliberativo nos investimentos da CBF.
A saída da Seleção do CT da Granja não se fazia por outro motivo senão reforçar a tese de que seria urgente a construção do novo CT de Ricardo Teixeira, porém o gás do presidente da CBF acabou ainda em 2010 com a contestação da documentação do terreno de 104 mil metros comprado aparentemente de maneira irregular.
O projeto da construção do CT da Barra da Tijuca ficou somente nos riscos das pranchetas dos arquitetos e engenheiros, dado a impossibilidade de utilizar o terreno, nada foi construído. O terreno hoje está parcialmente invadido por posseiros e grileiros, ou seja, existem pessoas erguendo suas casas dentro do terreno da CBF; a mais recente favela da Barra da Tijuca.
Por fim, José Maria Marin assumiu o cadeirão da CBF, e constatou que o problema ali não vai ser solucionado até a copa. [Talvez nunca será resolvido]
Quem já desnudou a trama, percebeu que se trata de uma simples comutação [permutação, troca, substituição] de Teresópolis (ponto A) para a Barra da Tijuca (ponto B) com a inexistência de um, resta somente a outra opção.
Os políticos de Teresópolis podem aparecer nas fotos, os jornais podem replicar os escritos da Assessoria de Comunicação [da Prefeitura e da Câmara], mas o fato é que não será a administração pública local, nem o pedido de vereadores os responsáveis pela escolha de onde a seleção vai treinar.
As críticas inventadas pelo Teixeira, reforçadas em matérias com Dunga, escritas com demasiado grau superlativo relativo de inferioridade, abriram feridas ainda não cicatrizadas no CT da Granja. Já não está mais em pauta se a seleção estará na Barra ou em Teresópolis, Aécio Neves em Minas Gerais aproveitando a "neblina teresopolitana", pretende tirar a Seleção do Estado do Rio de Janeiro, agora é Cabral quem deverá assumir a responsabilidade da campanha "A Seleção Brasileira é Nossa"; a prefeitura de Teresópolis nunca passou de gandula nesse jogo de interesses.
Só existe uma única maneira da prefeitura influenciar a volta da Seleção - que passa essencialmente pela valorização da própria imagem da cidade - por meio de infraestrutura, turismo, responsabilidade social e ambiental.
O espelho da administração pública para essa questão tem o mesmo reflexo visto no Lago Iacy, na Fonta Judith e nossos mirantes [todos destruídos], e em todos os lugares onde é possível transcender uma matéria de jornal para aferir a olhos nús.
Os gestores que deveriam entender isso, posam para se sentir na capa da People, porém não se tocam que estão a anos luz de sequer começar a fazer o que é preciso; pior, reféns da própria ignorância, ainda se acham genitores de algum resultado.
