quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Desigualdade: Tem luz no fim do túnel!

Após 40 anos sem 1% de avanço na queda da desigualdade social, parece que finalmente estamos no caminho correto; países hoje exemplo de igualdade e distribuição de renda levaram de 16 à 45 anos para atingirem a plenitude do Estado de Bem Estar Social, em média - cada um deles - teve uma redução da desigualdade de 0,5% ao ano.

O Brasil [segundo o coeficiente de Gini] ainda é um dos mais desiguais do mundo moderno, essa realidade começou a mudar após quatro décadas de estagnação, com o fim dos governos de direita. Foi em 2002 (com o governo Lula) que finalmente demos o primeiro passo, e não foi de maneira tímida - ao contrário - explodimos nos programas de combate à desigualdade social e chegamos à sólida marca de 0,7 ao ano, que temos sustentado já a 10 anos, que nos permitiu avançar incríveis 7 pontos no período, superior à grande média de evolução dos países ricos.

Sonho de Pobre é ser assim
Se continuarmos reduzindo nossa desigualdade a 0,7 ponto ao ano pelos próximos 24 anos estaremos no mesmo nível que o Canada [lembrando que outros países ricos levaram 16 à 45 para chegarem à essa plenitude], com tal avanço, podemos imaginar um país sem miséria, sem analfabetismo, sem contrastes sociais além das diferenças entre os mais ricos concedidos pela meritocracia.

Pensar que os avanços alavancados pelas políticas de esquerda que começaram em 2002 podem construir um novo país em pouquíssimos 24 anos pode soar tão fantástico e irreal quanto inalcançável, porém a realidade é que o avanço vivenciado em 10 anos, mostra que é sim possível alcançar a média de desigualdade dos países que promoveram o wellfare state (Estado do Bem Estar Social), a mostra cabal está no roadmap de 1/3 (um terço) do caminho completado, e continuamos firmes nessa direção, o que é claramente o FATO de que estamos no rumo correto de uma revolução da igualdade social e distribuição de renda ainda nessa geração.

As mudanças no padrão de distribuição de renda de uma sociedade não ocorrem em pouco tempo, as mudanças são incorporadas ao dia-a-dia e parecem não existir, somente o fato de que o salário mínimo em dollar no brasil passou de 80 para 280 - em 10 anos - é um exemplo, as pessoas consomem mais, comparam mais, vivem melhor, mesmo assim não racionalizam que nada disso era possível à muito pouco tempo, essas mudanças só são percebidas nos choques entre gerações.

É visível que a guerra política ideológica entre direita e esquerda no Brasil vai muito além das figurinhas carimbadas do nosso Legislativo e Executivo, a sociedade ainda não compreende que todo esse processo caminha graças à visão exclusivamente política, um dos motivos da estagnação do wellfare state no brasil é que a classe política dominante por décadas era - influenciada pelos partidos conservadores americanos - contra a real implementação do Estado de Bem Estar Social, eram tímidas as ações para essa direção, sonhavam ser pela meritocracia o único modo de conduzir o País, sem levar em consideração que não há espaço para meritocracia em um ambiente onde se ascende somente na batuta das oligarquias; nem ao menos seus representantes eram exemplo de mérito para sustentarem suas riquezas, estas provindas de heranças e sobrenomes de elites políticas e sociais.

Se quisermos atingir os níveis de wellfare state do Canadá nos próximos 24 anos não podemos apenas ficar esperando que os números continuem eternamente estáveis à taxa dos 10 últimos anos do PT, as grandes cidades são vitrines: no Rio de Janeiro, graças à diminuição da desigualdade social, foi sentida a incrível queda na violência, a possível retomada de favelas, e em breve a revalorização do entorno da perimetral e quedas grosseiras na diminuição de conglomerados subnormais; já São Paulo, por outro lado, segue o caminho oposto, o que se reflete visivelmente nos índices de criminalidade exorbitantes e inexistência de medidas de proteção Social. São Paulo é o exemplo de Política reacionária, é uma fábrica de (ou) ricos (ou) miseráveis, é a estagnação do wellfare state executada pela Direita, é o exemplo de um Brasil que não queremos mais.

Devemos ter em mente que o crescimento da maneira que está acontecendo tem limite lógico, em geral limites orçamentários nos programas de distribuição direta de renda como as bolsas de estudo e bolsas família, assim como aumentos no salário mínimo que justamente por hoje serem indexados ao PIB e inflação, cumprem seu papel até certo ponto e param por aí. Para o Brasil virar Canadá, os 2/3 (dois terços) do caminho que nos falta percorrer devem passar ainda pela reforma política e a reforma Tributária, e claro, pelo combate à corrupção.

O jogo pelo fim da desigualdade pode ser considerado uma partida de 30 pontos onde apenas um time joga por vez, e quem decide qual time entra em campo à cada vez é o voto popular. Por quarenta anos a Direita jogou sozinha, e o resultado foi um único ponto, a esquerda está no jogo a dez anos, e o resultado foram 10 pontos, O placar está por enquanto 10x1.