segunda-feira, 7 de maio de 2012

Como calcular dívidas bancárias e taxas extras

Olá meus leitores queridos e provavelmente individados. Hoje após o advogado Nilton Canto postar no facebook que um Juiz julgou improcedentes os pedidos de um cliente do Unicard Unibanco, que reclamava da cobrança excessiva de juros na dívida do seu cartão de crédito; fiquei na cabeça com a questão de que realmente é difícil (quase impossível) para um cidadão calcular quanto deverá pagar por seus débitos. Desde a faculdade sempre fiz esse cálculo utilizando logaritmos na minha KENKO S.U.P.E.R 82TL, mas hoje, percebi que com qualquer calculadora cientifica como a do windows (basta abrir a calculadora, clicar em exibir, depois em cientifica) é possível saber quanto você deverá ao banco caso venha a ficar inadimplente com o cheque especial ou o cartão de crédito, mesmo sem a utilização de logaritimos, o resultado é bem próximo ao real.


Mãos à obra?
Imagine um banco que faça a cobrança de juros à 10% ao mês no cartão ou especial:
você entrou em 1.000 reais no negativo, mas "esqueceu" a conta parada 24 meses... quanto você deve ao banco?... 3.400?... sim?... não?... 240% de juros?... vamos calcular:

O Banco calcula o cheque especial e o cartão seguindo a fórmula de juros compostos: M=P[(1+i)^n]
onde:
M = Quanto você deve
P = Valor do débito inicial
i = Taxa de juros mensal em decimais (exemplo 10% = 0,1 e 5% = 0,05)
n = Numero de meses que você não quitou seu débito

Então: M=1.000x(1+0,1)^24
M=1.000x(1,1)^24
M=1.000x9.85
M= R$ 9.850,00
Júros totais:  de quase 1.000%
sem contar as taxas bancárias normalmente aplicadas

Agora, a maior dúvida, sempre que vou quitar minha dívida, acabo pagando mais do que a conta que acabei de fazer, será que o banco está me cobrando outras taxas bancárias? cobrar taxas de juros por essas outras taxas bancárias é legal?

Para saber quanto está pagando além do juros da dívida, você precisa calcular a taxa de juros paga no dia do quitamento da dívida, para isso, você deverá utilizar novamente a fórmula M=P(1+i)^n:
Onde:
M = Quanto você pagou no dia do quitamento
P = Valor do débito inicial
i = Taxa de juros totais que queremos descobrir
n = Numero de meses que você não quitou seu débito

Então: 9.850 =1000x(1+i)^24
Se o capital inicial multiplica a taxa de um lado, você deve utilizar para dividir o montante no outro:
9.850/1.000=(1+i)^24
9,85=(1-i)^24
se a fórmula eleva a 24 a taxa em um lado, faça a 24ª raiz do valor no outro para remover o parenteses:
24√ 9,85 =1+i
1,100001244=1+i
Multiplique por -1; inverta a fórmula; passe o 1 que soma a taxa (agora livre) para o outro lado e faça a diminuição
[1,100001244=1+i]x-1
1+i= 1,100001244
i= 1,100001244-1
i= 0,100001244
Arredonde e transforme em porcentagem:
0,1x100=10%
Qualquer número diferente da taxa de juros combinada com o banco, que no nosso caso bateu os 10% corretamente, é proveniente de "taxas bancarias adicionais", como adiantamento de depósito, ou utilização especial do LIS. Nesses casos, Recorra ao banco ou a justiça, para não pagar além do certo; essas taxas são ilegais, mesmo assim são cobradas na maioria dos bancos.

Super fácil né!?


Mas se você não gosta muito de matemática, somente siga essas dicas:
1ª) Mantenha a mensalidade do cartão abaixo de 30% da sua renda
2ª) Só utilize o cartão para compras parceladas
3ª) Compre no cartão apenas itens que considere mais duráveis, como: tênis, roupas, eletrônicos e eletro domésticos.
4ª) Sempre pague a fatura em seu valor integral
5ª) Se você não conseguir seguir as regras anteriores: pare de utilizar o crédito, quite todas as faturas em aberto e quebre o cartão.